Obras da Conasa Águas do Sertão eliminaram a intermitência em 18 povoados; moradores de Igreja Nova, Penedo e Delmiro Gouveia relatam mudanças na rotina
Há mudanças que podem ser medidas em quilômetros de rede, reservatórios recuperados e estações de tratamento modernizadas. Mas, para quem vive nas comunidades atendidas pela Conasa Águas do Sertão, a transformação aparece em cenas mais simples: a água chegando com pressão, o banho sem depender da madrugada, a roupa lavada e o esgoto que deixa de correr a céu aberto. É com esse olhar que a concessionária completou, neste mês de setembro, quatro anos de operação em 40 municípios do Baixo São Francisco, Agreste e Sertão de Alagoas.
Desde 2022, a concessionária já investiu aproximadamente R$ 170 milhões em sistemas de abastecimento de água e R$ 169 milhões em esgotamento sanitário. A base de clientes ativos cresceu 43%, passando de 140 mil para 200 mil. Cinco municípios — Igaci, Carneiros, Igreja Nova, Jaramataia e Olho d'Água do Casado — alcançaram a universalização dos serviços. Mas são as histórias de quem vive nesses lugares que traduzem o que esses números significam.
Sapé: quando a água volta a subir na caixa
No povoado Sapé, em Igreja Nova, cerca de 1.400 moradores deixaram para trás uma rotina de rodízio após a implantação de um quilômetro de nova tubulação, a interligação dos poços e a padronização da rede de distribuição. O diagnóstico mostrou que a água disponível era suficiente para atender à comunidade; o problema estava na infraestrutura antiga, que não conseguia levá-la com regularidade até as casas. "Passava três dias sem chegar água e, quando chegava, não subia nem para encher a caixa. Agora ficou 100%", conta Dezailto dos Santos, morador do povoado há 25 anos.
Para José Lúcio, que vive no local há quatro décadas, a mudança também se mede pela pressão da rede. "Antes era fraca e só uma hora do dia. Agora está chegando direto e com pressão", diz.
Peixoto: água que só chegava de madrugada
Em Penedo, o povoado Peixoto vivia uma situação parecida: o fornecimento era restrito à noite, e os moradores precisavam organizar a rotina em torno da chegada da água. Uma nova adutora e o avanço da setorização fizeram o fornecimento tornar-se contínuo.
No Residencial Monte Rey, também em Penedo, uma nova rede exclusiva de aproximadamente 150 metros resolveu o problema de baixa pressão, que se agravava nos horários de maior consumo. "Nós passamos por um momento em que praticamente não tínhamos água, chegava só de madrugada. Após a intervenção, o consumo voltou ao normal. Hoje conseguimos ter água a qualquer hora do dia, com pressão para tomar um banho decente e realizar as tarefas de casa", relata Jaime Calumby, morador do residencial.
Malhada e Volta: quase duas décadas de espera
Em Malhada e Volta, povoados de Delmiro Gouveia, cerca de 300 moradores esperaram quase duas décadas por uma solução mais estável. A ampliação de 330 metros da rede, o reforço da tubulação e a eliminação de vazamentos melhoraram a distribuição e a pressão do sistema. "Agora, sabendo que a cada dois dias teremos abastecimento, tudo fica muito melhor", relata Sebastião João Alves, morador da Malhada há 20 anos.
Os 18 povoados que voltaram a ter água regular
As histórias de Sapé, Peixoto, Monte Rey e Malhada não são isoladas. Ao todo, 18 povoados distribuídos em cinco municípios tiveram a intermitência eliminada nos últimos quatro anos. Entre eles estão Margarida Alves, Antônio Conselheiro e Olga Benário, em Piranhas; Taperinha e Lagoa Funda, em Porto Real do Colégio; e Itatiaia, em Olho d'Água do Casado. Outros 11 povoados tiveram a intermitência reduzida por ações de combate às perdas nas adutoras das Bacias Leiteira e Serrana.
Cada comunidade apresentava um problema diferente — e exigiu uma solução diferente. "Em algumas comunidades, é preciso ampliar a rede; em outras, remanejar tubulações, corrigir vazamentos, recuperar reservatórios, organizar setores de abastecimento ou combater desvios. O trabalho combina diagnóstico técnico e escuta das localidades para transformar necessidades específicas em respostas concretas", afirma Akira Kuriyama, diretor operacional da Conasa Águas do Sertão.
Um trabalho que se expande pelo interior
Paralelamente, a concessionária fortaleceu ações de Tarifa Social, educação ambiental, atendimento e responsabilidade social. No último ano, iniciativas como o Óleo Solidário, o Águas do Saber, o Aquamóvel, o ETA! Dia de Escola e o Junho Solidário aproximaram a empresa da população. Em maio de 2026, atividades socioambientais alcançaram 400 pessoas em cinco municípios. Em junho, colaboradores arrecadaram mais de 500 quilos de alimentos destinados a instituições de seis cidades. "A celebração dos quatro anos não se resume ao que foi construído. Ela também revela o que muda quando o saneamento deixa de ser uma promessa distante e passa a fazer parte da rotina: mais saúde, dignidade, segurança hídrica, cuidado ambiental e perspectivas de desenvolvimento. É assim que a Conasa Águas do Sertão segue trabalhando para transformar o saneamento básico em realidade", completa Akira.