Saneamento como política de saúde: como Alagoas está transformando déficit histórico em economia para o SUS

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Alagoas foi um dos primeiros estados a implementar concessões de saneamento após o Marco Legal. Agora, dados mostram que a universalização reduz internações e economiza bilhões em saúde pública.

A universalização do saneamento básico não é apenas uma questão de infraestrutura. Para o sistema de saúde pública, é também uma questão de números significativos.

De acordo com uma análise do Instituto Trata Brasil baseada em dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 344,4 mil internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) em 2024. Alagoas, historicamente entre os estados com os piores índices de cobertura de água e esgoto, mudou de rumo com a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico em 2020.

O estado foi um dos primeiros a realizar concessões, transferindo a responsabilidade dos serviços para operadoras privadas capazes de realizar os investimentos necessários.

A Conasa Águas do Sertão, responsável por 40 municípios do Agreste, Sertão e Baixo São Francisco alagoano, já investiu mais de R$ 3 bilhões em infraestrutura nos três primeiros anos de operação. Mas o que esses investimentos significam em termos de impacto na saúde pública?

O cálculo da prevenção

Ainda segundo o Trata Brasil, a universalização do saneamento reduz as internações por DRSAI em aproximadamente 70% após três anos de implementação plena. Aplicando essa redução ao custo médio de uma internação R$ 506,32 o Brasil economizaria R$ 1,25 bilhão. Em Alagoas, esse cenário já começou a deixar de ser projeção e passou a ser realidade em quatro municípios.

Jaramataia, Igaci, Olho D’água do Casado e Carneiros alcançaram 100% de cobertura de água potável e 90% de esgoto tratado. Para chegar à universalização nessas cidades e avançar nas demais localidades, foram construídos 171 quilômetros de novas redes coletoras de esgoto, seguidos pela modernização de 15 Estações de Tratamento de Esgoto, dentre diversas outras intervenções.

Paralelamente aos investimentos em esgoto, a concessionária também focou em ampliar significativamente a oferta de água. Apenas na região da Bacia Leiteira, até então um dos pontos mais críticos de abastecimento no estado, R$ 71 milhões foram investidos em melhorias especialmente no combate às perdas.

Com investimento de R$ 10 milhões, foram implantadas extensões redes de distribuição beneficiando diretamente povoados e a zona urbana das cidades de Penedo, Delmiro Gouveia, Piranhas, Dois Riachos, Belo Monte, Olho d'Água do Casado, Ouro Branco, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Porto Real do Colégio e Igaci. Comunidades que antes sofriam com rodízio no abastecimento, como em Olivença e Ouro Branco, hoje contam com fornecimento regular de água. Isso foi possível graças à ativação de adutoras em Olivença, Ouro Branco, Poço das Trincheiras e Maravilha, além da implantação de novas adutoras em Perucaba, Igreja Nova Urbana, Penedo, Igaci e São José da Tapera.

“Esses investimentos representam não apenas a execução de uma política pública, mas também a materialização de um ganho econômico duradouro para o sistema de saúde”, afirma Akira Kuriyama, diretor operacional da Conasa Águas do Sertão.

Muito além da saúde

O impacto da universalização extrapola os números hospitalares. A redução de doenças hídricas diminui faltas escolares e no trabalho, impulsionando a produtividade econômica das regiões. Infraestrutura adequada também é pré-requisito para o desenvolvimento imobiliário e turístico sustentável.

“Neste Dia Mundial da Saúde, os dados de Alagoas ilustram uma realidade cada vez mais clara: a universalização do saneamento é, simultaneamente, uma política de saúde preventiva e um investimento econômico racional para os cofres públicos”, completa Akira.